Blog do Cambuinha


Durma com um barulho desses

 Magistral a coluna de Elio Gaspari de hoje. Todo médico ou Instituição de Saúde deve obter do paciente um termo de consentimento livre e esclarecido antes de submetê-lo a procedimento invasivo.

OS DOUTORES BLINDARAM OS IMPLANTES

Os cirurgiões plásticos e suas guildas deveriam convocar um congresso da categoria para discutir os aspectos desastrosos de suas condutas diante das adversidades provocadas pelos implantes de mamas de silicone PIP.

A ruína poderia ter sido evitada em 2009, quando a Câmara aprovou um projeto do deputado Miro Teixeira exigindo que os médicos comprovassem a "ciência da parte do paciente de todos os riscos eventuais do uso de silicone quando implantado no organismo humano". A nobiliarquia médica mobilizou-se contra a exigência e prevaleceu, pois o projeto morreu no Senado.

Até abril de 2010, quando o uso dos implantes PIP foi proibido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária, estima-se que 20 mil brasileiras tenham passado por esse tipo de cirurgia. Desde então, a Anvisa recebeu 39 queixas de ruptura dos implantes e 55 de outros efeitos adversos.

Em todos os casos, as reclamações vieram de pacientes. Não houve uma só notificação de médico. Zero, mesmo sabendo-se que, antes de reclamar na Anvisa, a vítima queixou-se a ele. (É verdade que os computecas da agência avisam no site do órgão que só se chega ao formulário de "evento adverso" com um navegador, o Explorer, da Microsoft.)

A agência recebe anualmente 650 mil queixas de pacientes e apenas 200 notificações de profissionais. Essa disparidade resulta do ambiente promíscuo onde coabitam a indústria farmacêutica, médicos e hospitais. Mesmo assim, no primeiro semestre de 2011 ocorreram 323 queixas relacionadas com a má qualidade de luvas de procedimentos.

A revendedora das próteses -EMI Importação e Distribuição- foi obrigada pela Justiça a pagar uma nova cirurgia e a troca da prótese. Notificação do médico? Nem pensar. O silêncio persistiu ao longo de 2009 e 2010, quando o fabricante verificou que o índice de rompimento dos seus implantes oscilava entre 30% e 40% e indenizou mais de uma centena de vítimas, na França.

Os médicos que implantaram essas mamas souberam dos problemas e nada disseram à Anvisa. Serão obrigados a defender suas condutas na Justiça, pois não só há ações das vítimas, como o Ministério Público entrará no lance. A Anvisa, que não deu atenção às queixas das pacientes, responderá pela sua inépcia.

Ocorrida a desgraça, a Sociedade Brasileira de Mastologia informou que um estudo de 2002 revelou que os índices de ruptura dos implantes oscilavam entre 26% em quatro anos, 47% em dez anos e 69% em 18 anos.

Em 2009, combatendo a exigência da comprovação do conhecimento, pelas clientes, dos riscos que corriam, o Conselho Federal de Medicina disse o seguinte: "O médico brasileiro é obrigado, por questões éticas, a explicar a seu paciente o que será usado como propedêutica e como terapêutica, sem a necessidade de um 'laudo de autorização' que, sem trazer qualquer benefício ao paciente, irá -ao contrário- provocar uma situação de constrangimento para o médico que empregue a prótese de silicone e uma expectativa negativa por parte do paciente. Isso mostra que a exigência de autorização por escrito para a realização desse procedimento médico é incabível".

Incabível era jogar para baixo do tapete uma justa "expectativa negativa" da paciente. Boa notícia: daqui a duas semanas, com a Câmara reaberta, Miro Teixeira reapresenta seu projeto, com novas salvaguardas.



Escrito por Cambuinha às 21h32
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]


Impressões - O Processo

Franz Kafka vivia no início do século XX, era judeu, de classe média, advogado e trabalhava numa companhia de seguros. Padecia de tuberculose. Seu pai era um empresário com quem não se dava pois o considerava autoritário. Viviam na Boêmia, hoje República Tcheca. Os romances de Kafka ganharam notoriedade apenas após sua morte – em vida ele pediu ao seu grande amigo Max Brod que queimasse toda a obra (felizmente não foi atendido).

Li “O Processo”. Uma crítica ao sistema judiciário e um desabafo sobre o predatório monitoramento contínuo que sofremos da Sociedade constituída.

Josef K. é atormentado por ser réu de um processo cujo conteúdo não lhe é revelado. Procurando atestar sua inocência, tramita pelas entranhas do Sistema Judiciário, pervertido por salamaleques, regalos, relações incestuosas e pela humana e soturna predisposição de Advogados e Juízes às suas idéias e interesses.

O aparelho Judiciário é uma máquina, mas com engrenagens humanas sem graxa. Como tal está sujeito a vícios morais que o impedem de condenar qualquer cidadão, exceto se houver comoção e consenso sobre crime grave.

O aparato policial que desce seu guante sobre Josef K. carece igualmente de sobriedade. A Sociedade imiscuída às informações sorrateiras de boquirrotos do meio Judiciário tem veio condenatório sumário e natural. Há ainda o insolente pequeno poder indolente do chefe do trabalho e dos competitivos colegas. E o sentimento de culpa ante aos familiares e amigos que o fazem se curvar a qualquer opinião e vã ajuda. Tudo num pano de fundo de perseguição política e religiosa da época.

Não por acaso alguns críticos suspeitam que o autor era portador de esquizofrenia. Outro indício para tal teoria foi a maneira desordenada em que o livro foi escrito – sem ordem dos capítulos, alguns inclusive foram perdidos e outros não terminados.

Afinal, nos dias de hoje um cidadão do mesmo estrato social que Kafka – eu, por exemplo – vive subjugado a ambiente ainda mais persecutório. Desprovido de qualquer poder, vira presa fácil dos desmandos de empresas de quem contrata serviços, sob vigilância constante de suas contas por Bancos e Governo, sob tutela de chips e radares para automóveis o obrigando a cumprir regras absurdas de trânsito, dependente de e susceptível a devassas pela Internet, proibido de fumar sob olhares atentos de alcagüetes, curvando-se com estoicismo notável a achaques dos empregadores e a evitar de qualquer forma expor fragilidades para poupar sentimento consumptivo da culpa.

Julgados e perseguidos sem sabermos o motivo diuturnamente, cientes que os carrascos são meros iguais.

Tudo isso para manter relações sociais, comida na mesa e um salário no fim do mês.

PS.: Fiquem tranquilos. Resistirei ao máximo para manter minha sanidade.



Escrito por Cambuinha às 00h19
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]


Provocações

PROVOCAÇÕES (João Carneiro).

Podes ser a mais altiva princesa

no seu luxuoso e recôndito castelo.

Eu, mesmo plebeu miserável,

a vagar pelas ruas te provocaria.


Podes ser a mais dedicada esposa

no seu plácido lar com suas crias.

Eu, abjeto e desprezível imoral,

a vagar pela lascívia te provocaria.


Podes ser a mais poderosa mulher

a subjugar todos os homens do seu meio.

Eu, humilde proletário braçal,

a erguer paredes com suor te provocaria.


Podes ser a mais triste pessoa

queixando-se das mazelas da vida.

Eu, eivado da mais alta soberba,

sem pudor algum te provocaria.


Podes ser vaidosa estrela decadente

lamentando as virtudes perdidas.

Eu, cercado das mais lindas huris no paraíso,

a me divertir te provocaria.


E aguardaria.

Mal provocação alguma te faria.

Afinal, a reação impetuosa

Irascível ou amorosa

Êxtase sempre me traria.



Escrito por Cambuinha às 22h41
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]


Desagravo ao Dr. André

Parabéns à Ombdsman da Folha de São Paulo, Suzana Singer, pelo desagravo ao Dr. André. Uma história que tem vários precedentes e final sempre injusto para os médicos, sem o mea-culpa da imprensa e dos pacientes e familiares.

O DIA EM QUE O DR. ANDRÉ ERROU

DILMA E SERRA vão ter de esperar, porque o espaço hoje é do dr. André.

Na madrugada de 29 de agosto, o médico mineiro chefiava o plantão do Hospital Municipal do Campo Limpo, bairro na zona sul, onde 83% das famílias vivem com até cinco salários mínimos.

André Luiz Veloso, 50, foi chamado à meia-noite para atender uma jovem de 14 anos que chegara em trabalho de parto. Como a gravidez era de pouco mais de seis meses, foram prescritos remédios para segurar as contrações e outros para apressar o amadurecimento dos pulmões do feto, mas a bolsa se rompeu algumas horas depois. Os batimentos cardíacos do bebê começaram a ficar irregulares (bradicardia) e descobriu-se que o feto estava em posição transversa (atravessado no útero). André indicou uma cesariana e, enquanto a garota era anestesiada, saiu para fazer outro parto, a fórceps -o Campo Limpo é referência em maternidade de risco.

De volta à sala onde estava a jovem gestante, André e uma residente começaram a cirurgia. Na hora de fazer a incisão no útero, que estava mais espesso do que estaria no final da gravidez, o bisturi foi fundo demais. O feto foi ferido com um corte de 2,1 cm nas costas. É um erro que acontece, segundo a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia, em 1% das cesarianas.

Às 6h50 de domingo, João Vitor nasceu. Na escala que mede as condições de um recém-nascido, de 0 a 10, ele recebeu nota 1 no primeiro minuto de vida e, no quinto minuto, nota 0. Estava morto. A neonatologista tentou reanimá-lo por 15 minutos, mas ele não respondeu. A médica avisou a mãe e, ao examinar o corpo do bebê, notou o corte nas costas, que tinha passado despercebido até aquele momento. Coube a uma enfermeira avisar sobre a ferida. A família pediu para ver novamente o corpo, mas a encarregada do necrotério não permitiu e a polícia foi acionada. O policial também quis ver o corpo e, mais uma vez, o pedido foi negado. André foi levado para depor.

Nos dias seguintes, o caso estava na TV, na web e nos jornais. Na Folha, foi capa de Cotidiano com chamada de Primeira Página, com título que indicava causa e consequência: "Bebê morre após ser ferido por bisturi durante o parto". Havia o "outro lado", com o diretor do Hospital do Campo Limpo dizendo que o bebê tinha morrido, provavelmente, por ser prematuro.

Mas os "indícios" eram suspeitos. Por que "esconderam" o corpo? Soube-se depois que é norma do Serviço de Verificação de Óbitos para evitar adulterações. Por que havia uma rasura na guia de encaminhamento do corpo? Não era adulteração, mas um erro de preenchimento da neonatologista.

Com a mãe internada com problemas cardíacos, André não deu entrevistas. Parentes de Minas Gerais ligaram depois de ler a notícia no UOL. Seus filhos passaram dias tensos. A repercussão foi grande também entre colegas nos outros hospitais em que trabalha.

Marcelo Gusmão, o diretor do hospital que atendeu a imprensa, também é obstetra e sentiu a repercussão em seu consultório particular. Uma paciente o viu na TV com a legenda "bebê cortado durante cesárea". Ele precisou se explicar. O Hospital do Campo Limpo, sempre lotado, ficou com alguns leitos vazios. "Assusta, mas depois a população volta", diz Marcelo.

Em 10 de setembro, o Instituto Médico Legal concluiu que a morte do bebê não foi causada pelo corte, que não afetou órgãos internos. João Vitor morreu por ter nascido muito antes do tempo. André ainda pode ser indiciado sob suspeita de lesão corporal culposa. A família está processando o médico, o hospital e a prefeitura, com a ajuda de um advogado que conheceu no programa "A Tarde É Sua", de Sonia Abrão (RedeTV!).

Em crítica interna, recomendei ao jornal que não publicasse o nome do médico até que as circunstâncias estivessem esclarecidas. A Redação argumenta que não dá para usar dois pesos e duas medidas, já que a Folha dá o nome de suspeitos de corrupção, crimes e outros atos ilícitos. É verdade, mas não dá para estabelecer uma regra geral sobre quando divulgar ou não o nome de alguém -só os menores de idade estão protegidos pelo Estatuto da Criança e do Adolescente. No caso de André, tudo recomendava prudência. As circunstâncias não estavam claras. A polícia, impedida de ver o corpo, salientava os "indícios suspeitos". Era um problema médico, difícil de entender para o leigo.

O escândalo "Médico mata bebê com bisturi na periferia" não se confirmou. Mas André ganhou uma nódoa para sempre em seu currículo.



Escrito por Cambuinha às 00h47
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]


Veneno, Psicofônico Veneno.

De um colaborador do BLOG. Para sê-lo também, basta manifestar-se.

Veneno, Psicofônico Veneno

Leo Laner Gomes


Aos que,

Herdeiros de Caim,

Filhos de Bructus

Hereditários de Judas

Usam a psicofonia

como punhal e escada,

meio e forma de vida.

 

Qual serpente,

Venenosa, assassina.

Ataca de repente,

A língua ferina.

 

Destrói a honra, lares.

Mutila a consciência.

Causa dores e pesares,

Sepultando a inocência.

 

Qual ferrão, qual punhal,

Fere e aniquila.

Faz o mal.

Exuda horror, fel destila.

 

Seca o amor.

Contamina o alimento.

Avilta o sabor,

Aduba o tormento.

 

E corroendo a vida,

Qual ácido, ferrugem,

Tétano, ferida,

Elimina, também,

 

Quem dela tem o poder.

E que dizendo e falando,

Tudo difamando,

Nada mais pode ser,

 

Que doente, infeliz, nefando.



Escrito por Cambuinha às 14h42
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]


China - Vergonha mundial

Uma análise sóbria e objetiva sobre o novo laureado com o Nobel da Paz. Mostra as mazelas de um país com MEIO BILHÃO de miseráveis. O país do meu amigo Ceará. Publicada na Folha de São Paulo de hoje.


Voz moderada da dissidência vai provocar questões oportunas

RAUL JUSTE LORES
EDITOR DE MERCADO
 No monumental documentário "Os portões da Paz Celestial", vemos Liu Xiaobo, um professor de literatura franzino, discursando com alto-falante para pelo menos 500 mil pessoas.Era maio de 1989 e protestos sacudiam as principais cidades chinesas contra a inflação, o desemprego e o Partido Comunista. A praça da Paz Celestial, a maior do mundo, estava repleta. Ao contrário da retórica agressiva dos estudantes que aproveitaram a agitação social para pedir o fim da ditadura, Liu pedia moderação e diálogo aos milhares que o ouviam. Não foi atendido.

Mesmo após vinte anos de sucessivas prisões, desemprego e ostracismo, Liu continuou sendo a voz moderada da dissidência chinesa. Após o massacre que sepultou o movimento em 1989, vários líderes partiram para o exílio. Outros esqueceram o passado e viraram empresários amigos da burocracia comunista. Liu continuou a pedir democracia.

Ele foi o autor da Carta 08, manifesto divulgado pela internet há quase dois anos, em que pedia liberdade de expressão e a permissão para a criação de novos partidos. Está preso desde então.

Como a China se tornou a segunda economia do mundo - e tem potencial de crescimento sem paralelo no planeta -, nem os EUA ou a Europa ousam contrariá-la. A pressão externa para que o gigante asiático respeite os direitos humanos murchou nos últimos anos. Liu é apenas a ponta do iceberg. Anualmente, pelo menos mil chineses são executados, após ritos sumários. Quase a totalidade dos processos criminais no país não contam com advogado de defesa. Até indefesas donas de casa que ousam protestar por despejos são presas e desaparecidas.

A China é o maior milagre econômico recente, e seu povo e o Partido Comunista merecem muitos elogios pela capacidade de trabalho e organização que tirou 400 milhões da pobreza. Mas diversas liberdades universais são negadas - e a repressão apertou nos últimos anos, graças à tensão provocada pela troca de comando do Politburo em 2012.

Ao pressionar a Noruega para que não desse o Nobel a Liu, a China acabou reforçando o nome do professor. Mas a maior preocupação dos líderes comunistas no momento é, como sempre, doméstica. Apesar do formidável controle da mídia chinesa e da censura em tempo real da internet (onde Facebook, Twitter e YouTube são bloqueados), Liu Xiaobo corre o risco de virar um nome famoso, pelo menos na China urbana e plugada.

Como os mais jovens são os que melhor sabem driblar a censura oficial, é possível que milhões comecem a se perguntar quem é esse Liu Xiaobo, o primeiro cidadão 100% chinês e morando no país a ganhar o Nobel. E queiram saber porque ele está preso, o que ele advogava - e se essa situação é justa.



Escrito por Cambuinha às 22h33
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]


Eleições 2010

 

 

Amigos, tenho que registrar minhas impressões das Eleições 2010. Daqui a 4 anos ou a 20 anos quero ver o que eu achava de tudo isso. Avaliar novamente este período depois de longos anos - transcorrido o governo e revelado o futuro – é muito divertido. Confesso que rever os posts de 2006 deste BLOG ora provocou-me gargalhadas ora consagrou minhas premonições.

Ademais, como nos EUA em que os grandes jornais sempre apóiam uma candidatura, meu BLOG por ser um meio de comunicação poderoso seguirá pelo mesmo caminho.

O que temos no cenário atual é um povo ludibriado pelo Maquiavel de Garanhuns – como disse o Arnaldo Jabor na CBN outro dia. Nunca antes na história deste país, e quiçá na história mundial, houve um sujeito tão aprovado numa democracia. O sapo barbudo, que nos tempos do Mensalão chegou a ser ameaçado por um impeachment, nada de barbatanas. É a tragédia do analfabetismo Nacional que o consagra. Havia muito medo que o suposto iletrado naufragasse a Nação, mas é a ignorância popular que a ameaça.

Trata-se de um governo medíocre nestes oito anos. Com tamanha popularidade, até que o Lula começou bem: iniciou a Reforma da Previdência – uma das tantas que o país precisa. Após muita discussão e desgaste aprovou-se um texto longe do satisfatório – mas vá lá: já foi alguma coisa. Em 2009 a Previdência Social brasileira fechou com um déficit de R$ 43 bilhões.Ou seja, ao invés da Reforma, teríamos de tomar o exemplo do estádio da Fonte Nova no último Domingo: implodir e construir uma nova Previdência. O Governo comportou-se neste caso como o mineiro que já tem uma casinha e um Fusca na garagem: pra quê trabalhar mais? (Este preconceito contra as Alterosas é do Dr. Sérgio Vargas).

Então o Sun Tzu do Nordeste resolveu dedicar suas forças ao Bolsa Família e a outros programas sociais mais interessantes. Julgo-os de muita importância e o Governo Federal teve o mérito de estruturá-los de maneira decente. O Bolsa Família é o maior programa de transferência de renda do Mundo e realmente chega a quem precisa. Essa história que não se pode dar o peixe e sim tem de se dar a vara pra pescá-lo é lorota. Qualquer um precisa de comida pra ter quaisquer outras pretensões. Cumprido o passo básico de se encher o bucho é natural qualquer Homem aspirar melhoras na vida da sua família – ele procurará um emprego e será incluído à sociedade de consumo.

Calcado neste programa e em sua romanesca história de vida, Lula virou santo. Deu sorte também de surfar no crescimento da Economia Mundial. Na crise do último ano, o Brasil só não se afundou mais porque justamente o Bolsa Família garantiu o piso de consumo em regiões carentes – e o sistema financeiro reformado por FHC fortaleceu muito os Bancos brasileiros. Dotado de tais créditos, como faziam com Antonio Conselheiro, todos fazem o que Lula manda. Dilma Rousseff ao que tudo indica será a próxima Presidente da República. O PT permanecerá no poder por pelo menos mais 4 anos. O Câncer que é o aparelhamento do Estado por um grupo político não será atenuado com uma dose de Quimioterapia: a alternância de poder. Os comissários da República Sindical continuarão a lançar suas metástases debilitando o organismo Federal. Se houvesse uma dança das cadeiras com a volta do PSDB ao poder, ao menos em muitos casos as Instituições eivadas de pilhagens veriam um novo tumor tucano florescer – e seus tentáculos demorariam um pouco mais para atingir o nível do cancro petista extirpado.

Continuamos após 8 anos de Lula pagando carga tributária pesada. Os pobres pagam mais impostos que os ricos, uma vez que há a grande armadilha dos impostos embutidos nos produtos e serviços. O trabalhador assalariado gasta tudo para comprar comida, pagar aluguel e comprar produtos para sua casa, sem dinheiro algum para inversões – e ao menos metade de seus honorários é abocanhada pelos Governos através daqueles tributos que não se percebe que se paga. O preços com imposto associado estão deveras elevados. Um litro de leite custa R$ 2, ou convertendo para Dólar e Euro, US$ 1,14 e 0,89 centavos de euro. Duvido que um litro de leite custe isso naquelas bandas. O brasileiro tem renda infinitamente menor para custo de vida maior que os países desenvolvidos. Outro exemplo bastante usado é o dos preços dos carros. Compare quanto custa o mesmo carro no Brasil, Europa e EUA: vai achar que somos um país de milionários.

Já foi exposto neste BLOG o quanto pagamos para sanar os juros da dívida pública, o chamado Superávit Primário. Não há como escapar dele, temos de poupar ao máximo para sobrar dinheiro para outras prioridades. Pois o Governo Federal inverteu a tendência de queda no número de funcionários públicos para aumento galopante. Quanto aos investimentos em infra-estrutura, fez o aquém do esperado. Foi irresponsável a lidar com nosso orçamento. Qualquer pesquisa no Google pode confirmar os fatos. O tal PAC da Dilma é uma falácia. PACtóide.

Quanto à Reforma Política, vejamos como será a eleição do Tiririca neste ano para apreciar sua importância e emergência. O problema não está no palhaço sem graça, e sim naqueles que carregará com ele para a Câmara dos Deputados (Waldemar Costa Neto inclusive) - não à toa o partido destina mais tempo de exposição ao ignóbil idiota. Hoje no Brasil o presidente tem poderes monárquicos. O Congresso Nacional trabalha com Medidas Provisórias que são aprovadas a torto e direito por parlamentares dóceis susceptíveis a mimos baratos. São meros estafetas do Executivo.

São apenas alguns pontos que estavam em minha cabeça e basta forçar a memória para lembrarmos de mais mediocridades de Lula e sua trupe. Política Externa, por exemplo: Lula é tratado como um histrião pelo mundo inteiro por suas últimas aventuras. Os brasileiros, consequentemente, como índios tribais – bobocas de chocar e tanga. A oposição tem muita munição para utilizar nesta campanha!

Até agora nada. José Serra, líder das pesquisas até outrora, esconde as evoluções capitaneadas por FHC. Colocou-se ao lado de Lula em seu programa eleitoral. “Depois do Lula da Silva, é o Zé que eu quero lá”, diz sua musiquinha veiculada no Horário Político. Acha que os débeis mentais dos eleitores não gostariam de ouvir críticas direcionadas ao Monarca pernambucano. Errou desde o começo. Tinha de tomar posição, partir pro ataque – como fez o seu vice, Índio da Costa.

Serra bem ou mal marcou sua presença no Governo de São Paulo. Ampliou o jeito tucano de governar: livrou-se das obrigações do Estado. Privatizou nova linha de metrô, estradas, postos de saúde, hospitais – livra-se de grandes problemas sempre culpando a inepta gestão pública (engraçado, pois seu partido está há 16 anos no poder aqui em São Paulo). Mas vá lá, é uma linha de pensamento que muitas pessoas que eu respeito defendem. O lucro das empresas que são incumbidas dos serviços é alto (não precisam cumprir Leis de Licitação e tampouco Direitos Trabalhistas e não têm lá grandes exigências a cumprir), contudo as coisas funcionam. O ideal seria melhor gestão do Estado, entretanto o ideal é sempre muito mais difícil de se conseguir.

Já a candidata do PV, Marina Silva, continua perdendo as brigas mas não perdendo o juízo. É uma candidata insossa, a despeito de sua história também romanesca. Representante sem grandes influências de Lobbies e que junto com Plínio Sampaio não tem impedimentos para falar de corrupção, deveria atacar a fundo esta questão tão espinhosa para PT e PSDB. Mas sequer toca no assunto Mensalão. Sequer toca no assunto Dilma Rousseff rolo-compressor que desrespeita normas vigentes para proteção ambiental. Sequer açula a candidata do PT, sua algoz quando era Ministra do Meio Ambiente. Tampouco ataca as feridas do PSDB, como mensalão mineiro e a corrupção e tráfico de informações e influências quando das privatizações no Governo FHC, mesmo no governo Alckmin/Serra (caso ALSTOM). Nenhuma referência às terríveis enchentes em São Paulo. Muito sem graça, a Marina. Dá impressão que apenas se candidatou para garantir segundo turno entre PT e PSDB e dar ao seu partido poder de barganha para negócios espúrios na segunda fase das Eleições. Perde grande chance. Deveria sim perder um pouco o juízo.

Agora, engraçado é o Plínio e o PSOL. É uma lufada de romantismo nestas eleições. Hoje mesmo o vi na TV em duas universidades públicas coalhadas de jovens, debatendo apaixonadamente! Tem mais de 80 anos o Plínio! Foi ministro do Jango, lutou pela Reforma Agrária naquela época! A contradição que vejo é essa: apenas os jovens ignotos pseudo-intelectuais acreditam no êxito da Reforma Agrária, que acabar com o Agronegócio é uma boa, pois daria oportunidade para os camponeses alojados nas favelas das grandes e médias cidades voltarem ao campo para viverem felizes com sua plantação de milho, seu pomar, seus filhos e seu cachorro. Duvido que o Plínio acredite nisso! Duvido que acredite que dar calote na dívida beneficiaria o País! Quando eu era mais novo, acreditava. Hoje, não mais. Não há mais camponeses! Ninguém mais quer voltar para o campo, que só produz se estiver mecanizado e dotado das mais altas tecnologias! O melhor lugar para o Homem viver há muito não é o campo, e sim as cidades. Ademais, o Capitalismo Financeiro é um sistema inexpugnável. Nunca nenhum país terá condições de sair de suas garras. Só nos resta pagar. E entrar na linha. Sr. Plínio, eu duvido que ainda acredite nestas plataformas. Dúvida maior é saber porque as personifica sendo o cabeça do PSOL. Seria o medo da realidade? O medo de envelhecer? O prazer de permanecer entre os jovens pseudo-intelectuais idealistas ludibriados?

Desculpem-me a prolixidade. Ultimamente ando tendo pouco tempo para escrever, por isso descarreguei hoje. Pois bem, está lançada a discussão também neste espaço. Baseado nestes comentários este BLOG POR ORA apóia José Serra para presidente da República.



Escrito por Cambuinha às 19h19
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]


Jerônimo, Erinaldo, Antônio e João.

 

 

Ontem, ao rever no Jornal Nacional uma breve reportagem sobre a vida de José Saramago, chamou-me a atenção seu discurso ao receber o prêmio Nobel de Literatura. Um dos maiores escritores da Língua Portuguesa homenageou o homem mais sábio que conheceu: seu avô Jerônimo, analfabeto, criador de porcos no interior de Portugal.

 

Lembrei-me imediatamente dos doentes de meu ambulatório na Zona Leste de São Paulo. Assusta-me a quantidade imensa de analfabetos. Em minha contagem informal, são cerca de 40% dos pacientes. Algo chocante uma vez que dependem de ler corretamente a Receita Médica que levam pra casa a fim de viver mais e melhor – para citar algo básico.

 

Dias desses apareceu-me seu Erinaldo, pernambucano de Jurema. Ao dar-lhe trela, deixei-o discorrer longamente sobre a atual situação política do país. Ele avaliou alguns dos personagens importantes da história recente e antiga e até me atualizou. Quando perguntei se ele gostava de ler – imaginei que fosse assinante do Estadão ou da Folha – a surpresa: “Não sei ler, seu dotô .” “E como sabes de tudo isso?” “Escuto o noticiário da rádio há 50 anos. Todos os dias escuto o Heródoto Barbeiro.” Dias depois deu-me um CD que havia prometido onde gravou um discurso protestando contra tudo e todos, menos contra Jesus Cristo e o Lula.

 

Já o baiano Antônio, de 91 anos, brincou com meu sobrenome, motivo para começarmos uma boa prosa sobre o Getúlio Vargas. Com riqueza incrível de datas e nomes, discordamos: eu gosto mais do Luís Carlos Prestes, que ele odiava – “Ele era comunista, dotô!” Também não sabe ler. Disse-me que só leitura não forma grandes Homens. Com dor no coração, não pude me furtar e disse-lhe que discordava – “Pena que o senhor não teve chances.” Confesso que passei todo o dia chateado, devia ter me contido. Mas o Sr. Antônio, como um bom e simples Homem, gostou da minha franqueza.

 

O cearense João era o último de determinado dia. Marceneiro, tinha se aposentado e disse-me que estava agora aproveitando a vida. “Por que não aprende a ler e escrever?” “Pra quê, seu dotô?” Dessa vez não polemizei, calejado pelo outro dia. Saí alguns minutos depois dele e encontrei-o na rua: cumprimentou-me dirigindo sua Chevrolet Zafira zero km.

 

Mas não nos iludamos. Estes três são gênios. Contribuiriam muito à Sociedade se esta tivesse lhes dado o básico. Poderiam ser grandes Homens. Pois todos os outros analfabetos que conheci não conseguem emitir uma opinião ou sequer pronunciar uma frase com alguma “sofisticação”. Alguns incrivelmente até tomam os remédios corretamente – a grande minoria deles. O Brasil precisa desde muito urgentemente adotar estas pessoas como prioridade.

 

Em homenagem ao Saramago, Jerônimo, Antônio, Erinaldo e João:

 

“Não há sentido na nossa miséria.

Fome não é prova de fortaleza, é apenas não ter comido.

Esforço não é envergar as costas e arrastar, não é mérito.

A miséria? A miséria não é a condição das virtudes, meus amigos.

E não me venham com a beleza das riquezas que fomos capazes de produzir.

Se a nossa gente fosse abastada e feliz, aprenderia as virtudes da abastança e da felicidade.

Mas hoje, as virtudes dos pobres nascem... da pobreza!

Eu abomino isso. Sim! Abomino! Ou vocês querem que eu minta à nossa gente?”

 

Bertold Bretch, por volta de 1930 em “A Vida de Galileu”

 



Escrito por Cambuinha às 21h40
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]


Lembrança de um amigo.

Morreu o Rei de Portugal, Sebastião, levado para uma épica batalha no Marrocos eivada por sua fé acerba que ultrapassava os limites da petulância. Como poderia morrer alguém tão forte e poderoso, O Desejado, sempre ansiado para tomar a frente de um povo? Inaceitável.


Os portugueses aguardam até hoje o retorno de Dom Sebastião. Viria para salvar seus pares de toda a mediocridade e dificuldade da vida cotidiana. Certa vez apareceram com um caixão que diziam conter seu corpo. Está exposto até hoje em Além-mar, mas ninguém acredita que seja O Desaparecido. Por mais de uma vez charlatães chegaram roubando sua identidade para auferir algum poder. Enforcaram-se todos. Mas há de chegar o dia em que voltarás.


Dom João VI, nosso mais conhecido, bem como todos os reis portugueses que o sucederam no trono não ousam tomar sua Coroa, que adorna os retratos apenas ao lado do novo monarca.


No Nordeste brasileiro, durante a Guerra de Canudos ou nos escritos de Ariano Suassuna, os famélicos rezam por sua intercessão.


Como podes, Dom Sebastião, ser tão venerado? São os frutos de sua postura altiva, de seu credo inabalável, de seu poder incontestável? É herança de carinho unânime a você desde cedo e que não morrerá jamais? Certamente.


Mas cá no ano 2010, de um realismo e pragmatismo chato, subjugados todos os mitos e religiões pelo dinheiro, ostentação e busca insaciável por alguma importância ante a sociedade, como crer no seu retorno, Dom Sebastião? Quem crê em algo considerado tão tolo não merece o mínimo respeito das pessoas cá no século XXI. Não há tempo para fé. Só para o trabalho e algum poder.


Pobre dos reais tolos do nosso tempo. Não sabem que crer ti, São Sebastião, ou em Cristo, em Maomé, em Xangô ou em quem quer que seja é um lenitivo para a Saudade. Tenho medo de ter de transcender para encontrá-lo. Então por que não voltas? Seria tudo tão mais simples, tão mais feliz! Aguardo você desde esse dia santo de céu tão azul como hoje – quando partiu. Aguardo de peito aberto e coroa ao lado. Vou esperando. Se não apareceres, qualquer dia desses, encontro-te certamente de peito aberto aí no céu, trajado de tudo aquilo que tenho saudades – não necessariamente uma coroa.


Corpus Christi, 2010.

 



Escrito por Cambuinha às 11h37
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]


Essa é pra quem acha que o Governo Lula é populista ao manter o Bolsa Família. Reportagem da Folha de hoje.

Sistema de proteção social da Alemanha é alvo de controvérsia

Supremo alemão declara inconstitucional o sistema atual de cálculo da ajuda destinada a complementar a renda

Rede de seguridade social consome 1/3 do PIB da Alemanha, a maior economia europeia, ante, por exemplo, 1/5 nos EUA

DANILO VILELA BANDEIRA

COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, EM BERLIM

Jessica L., 29, é mãe solteira de cinco crianças e tem renda mensal de 2.630 (R$ 5.864). Kathrin S., 27, cria seu único filho também sozinha e recebe 1.214 (R$ 2.707) ao fim do mês. A primeira está desempregada há dez anos; a segunda trabalha como cabeleireira.

Sob o título de "Por uns euros a mais", o caso das duas mulheres foi descrito pelo prestigioso diário alemão "Frankfurter Allgemeine Zeitung" e serve de combustível para os que acusam o sistema de seguridade social do país de ser um incentivo à indolência.

Sete anos após o início da reforma que pretendia diminuir a presença do "Estado provedor" no mercado de trabalho e em meio à explosão dos gastos públicos dos membros da UE (União Europeia), a sobrecarregada rede de proteção social da maior economia europeia volta a ser alvo de controvérsia.

O gatilho para nova rodada de renhidos debates foi uma decisão do tribunal constitucional alemão (equivalente ao STF brasileiro), que, em fevereiro, declarou inconstitucional o sistema de cálculo de benefícios para desempregados.
Implantada em 2003, durante o segundo mandato do social-democrata (SPD) Gerhard Schröder, a reforma visava flexibilizar o mercado de trabalho e amenizar os rombos no orçamento da seguridade social.

Esse sistema consome 1/3 do PIB da Alemanha, ante, por exemplo, 1/5 nos EUA. A proposta de reforma enfrentou oposição da esquerda e, sob artilharia pesada, acabou sendo atenuada.

A versão aprovada reduziu de 36 para 12 meses o período durante o qual desempregados podem receber percentuais de até 70% de seu último salário a título de seguro-desemprego.

Também estabeleceu o chamado Hartz-IV, que é uma espécie de "programa de renda mínima" e pode ser pago indefinidamente.

Esse montante mínimo de sobrevivência (valor base de 359 (R$ 800,6) por pessoa) é recebido hoje por 6,7 milhões de alemães (a população estimada é de 81,8 milhões de pessoas). O valor é inferior ao pago antes da reforma.

No que alguns veem como efeito positivo das mudanças, a taxa de desemprego, que chegou a 11,7% em 2004, está atualmente em 8,1%.

Desconstrução
Para o economista Alexander Herzog-Stein, pesquisador da fundação Hans Böckler, a mudança integrou um processo de desconstrução do Estado de bem-estar erigido no país após a Segunda Guerra.

"A ideia central dessa iniciativa é a de que o desemprego é mais culpa do desempregado do que resultado de circunstâncias econômicas", afirma.
"O valor do Hartz-IV não é alto. Ele busca apenas atingir o que foi socialmente definido como mínimo necessário para a existência. O problema é que os salários são muito baixos. Para corrigir isso, seria necessário criar um salário mínimo", diz o pesquisador da fundação Hans Böckler.

O que os magistrados alemães fizeram foi avaliar que o mecanismo que estabelece o valor-base de 359 por pessoa é arbitrário. A ideia é que, antes de fixar um valor, o Estado tenha de discriminar, item por item, quais são as necessidades mensais para "uma vida digna".

Até 31 de dezembro, o Congresso terá de aprovar nova lei para corrigir essas distorções.

Rede de seguridade garante até pagamento de aluguel

Programa prevê o mínimo de 359 para quem comprovar ausência de bens

Governo também banca, por tempo indeterminado, o seguro-saúde; para ministro, sistema é um "incentivo à preguiça"

Apesar do endurecimento das regras e da queda de 5% que o PIB da Alemanha enfrentou em 2009, não existem, a rigor, alemães sem renda.

Pesadelo dos liberais clássicos, o governo garante que qualquer desempregado receba, por tempo indeterminado, benefícios que incluem o pagamento do aluguel e das contas da casa, seguro-saúde e uma quantia em dinheiro (o Hartz-IV, uma espécie de programa de renda mínima).

Empregado ou não, qualquer cidadão tem ainda direito a 190 mensais por filho.
A decisão do tribunal de considerar arbitrário o valor base de 359 (R$ 800,6) por pessoa para esse mínimo foi a senha para que direita e esquerda voltassem a se engalfinhar.

A discussão agora vai muito além do escopo da nova lei e fez com que questionassem os fundamentos do projeto original.

Para o ministro das Relações Exteriores e líder do partido liberal (FDP), Guido Westerwelle, o atual sistema conduz o país a uma "decadência semelhante à dos últimos anos do Império Romano" e é um "incentivo à preguiça".

Segundo dados da agência governamental para o trabalho, há 3,6 milhões de alemães desempregados competindo por 800 mil postos abertos.

Já a esquerda, incluindo o próprio partido de Gerhard Schröder, exige que a liberação do benefício não requeira comprovação de ausência de bens. O Partido Verde vai mais longe e exige que o piso seja aumentado para 420.

Ação de ONGs

Sinal de que os benefícios não têm bastado é o sucesso de organizações como a Tafel, ONG que recolhe alimentos que seriam descartados por supermercados e os distribui a 1 milhão de alemães por dia.

Em uma sexta-feira, cerca de 30 pessoas, a maioria idosos e mulheres com crianças, fazem fila em um dos 45 pontos de distribuição de Berlim. Entre elas está uma sérvia de meia-idade que mora há 25 anos na cidade e não quer se identificar. Eu recebo o Hartz-IV e o governo também paga meu aluguel e meu plano de saúde, mas o dinheiro não dá, por isso venho aqui. Mas na Alemanha é bom. Na Sérvia, se você não tem emprego, você morre."



Escrito por Cambuinha às 12h42
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]


A reportagem do primo do Paquito no caderno Cotidiano da Folha deste sábado mostra claramente a falta de dinheiro para a Saúde no Brasil. Estados descumprem a resolução do Conselho Nacional de Saúde que orienta investimento mínimo de 12% de suas respectivas receitas na área. O mesmo diz a Emenda Constitucional 29, que ainda não foi aprovada devido a inépcia e desleixo do Congresso Nacional.

 

O assunto é requentado, já foi inclusive abordado por este BLOG. Volto a enfatizá-lo pois o meu amigo e agora Mestre Véio acha que o Estado é perdulário na área de Saúde. Notadamente, seu queridinho Aécio Neves nos faz vergonha ao colocar Minas Gerais como o segundo Estado que menos investe em imprescindível setor. Cinicamente computa como gastos em Saúde dinheiro aplicado em áreas completamente distintas.

 

Veja também detalhes sobre gastos públicos em post anterior: http://cambuinha.zip.net/arch2010-03-07_2010-03-13.html

 

13 Estados investem menos que o mínimo em saúde, diz governo

Segundo ministério, em 2008, eles deixaram de aplicar no setor ao menos 12% da arrecadação, como manda a Constituição

Governos incluíram nos gastos programas sem relação direta com o SUS, como plano de saúde dos servidores e projetos de segurança

RICARDO WESTIN

DA REPORTAGEM LOCAL

O Ministério da Saúde afirma que metade dos Estados investiu em saúde valores mais baixos que os determinados pela Constituição. Em 2008, 13 governadores deixaram de aplicar juntos R$ 3,1 bilhões em hospitais, remédios, exames, cirurgias e equipamentos médicos.

Com esse valor, seria possível construir 60 hospitais de médio porte (150 leitos) ou comprar todos os remédios do programa brasileiro de Aids ao longo de três anos.
A Constituição obriga os Estados a investirem no mínimo 12% de sua arrecadação própria em ações de saúde pública. O ministério analisou os balanços de todos os Estados referentes a 2008 e verificou quais cumpriram a lei. Os Estados negam haver problemas.

O Rio Grande do Sul foi o Estado que ficou mais longe do piso de 12% -aplicou em 2008 apenas 4,37%. Em seguida, ficou Minas Gerais -8,65%.

Na outra ponta da lista, entre os Estados que mais aplicaram em saúde naquele ano, apareceu o Amazonas -21,39% da arrecadação própria.


Prisões e reforma agrária

Em seus balanços, esses 13 Estados incluíram como gastos em saúde programas que não têm relação direta com o SUS (Sistema Único de Saúde).

O Piauí, por exemplo, contabilizou o dinheiro aplicado nas prisões. A Paraíba, na Polícia Militar. Alagoas, em programas de reforma agrária. Minas Gerais, no Fundo de Apoio Habitacional da Assembleia Legislativa. O Rio de Janeiro, nos programas de prevenção de catástrofes naturais.

O Paraná incluiu nas contas da saúde um programa que distribui leite a crianças carentes. Santa Catarina, o plano de saúde dos funcionários públicos estaduais. O Rio Grande do Sul, programas de saneamento básico e prevenção da violência.
Maranhão, Ceará, Espírito Santo, Mato Grosso e Goiás também incluíram em seus balanços projetos que o Ministério da Saúde não reconheceu como de saúde pública.
Os governadores acabam não sendo punidos porque se valem da falta de regulamentação da emenda constitucional 29, o trecho da Constituição que desde o ano 2000 determina os 12% para a saúde.

A tramitação do projeto de lei que esclarece o que é saúde pública se arrasta no Congresso há cerca de dez anos.

O Conselho Nacional de Saúde, ligado ao governo federal, tem uma resolução que procura deixar claro o que são gastos com saúde. Como não tem força de lei, o documento é ignorado pelos governadores.

Quem julga as contas são os Tribunais de Contas dos Estados, que muitas vezes, porém, dão razão aos governadores.

No Paraná, o Ministério Público do Estado já apresentou à Justiça cinco ações civis públicas em que pede o cumprimento dos 12% constitucionais.

Uma já teve decisão favorável do juiz de primeira instância, mas o governo recorreu ao Tribunal de Justiça. As outras ações aguardam julgamento.

"Descaso"
Na opinião de Lenir Santos, advogada que coordena na Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) o curso de especialização em direito sanitário, os governadores ignoram os 12% "por puro descaso".

"Os Estados dão desculpas esfarrapadas. A emenda [29] é claríssima. Há absoluta clareza sobre o que é ação do SUS", diz. "Veja como estão os hospitais públicos. O dinheiro faz falta."



Escrito por Cambuinha às 12h29
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]


Nome para o filho.

 

Dentre as primeiras discussões de um casal sobre o filho que chegará está a escolha do nome. Assunto polêmico, geralmente a decisão cabe às mulheres sob o argumento inconteste que carregarão peso extra durante 9 meses na barriga. Não por acaso vemos pérolas extravagantes nos últimos tempos, típicas da criatividade feminina.

 

“Meu filho vai ter nome de Santo... Quero um nome mais bonito”. Já dizia o grande Renato Russo. Antigamente era batata. O Evangelho era pop. Só Judas ficou de fora. Nunca conheci alguém chamado Judas. Tanto os mais pobres como os mais ricos consultavam a Bíblia. Alguns nomes eram pescados no fundo do baú. Mas eram bíblicos.

 

Hoje a coisa está muito mudada. Curiosamente, os mais abastados têm apelado ao Livro Sagrado. Os neo-pobres, marrentos, têm consultado Hollywood. Bem à sua maneira, é verdade. Nomes americanos duplos com inevitável aportuguesamento são correntes.

 

Há aqueles possessivos ou mesmo narcisistas que insistem em batizar os filhos de Júnior ou Fulano Filho. Geralmente estes nomes são escolhidos pelo pai. Talvez seja este o maior absurdo para o pobre rebento. Está escravizado ao nome do pai para sempre – ou do avô. Será bem difícil conseguir independência e criar identidade própria. Para quem tem nome diferente do pai já é desafio tentar superá-lo e bater as asinhas, imagine quem o carrega em todo chamado. Temos de torcer para que se dêem bem: após grave diferença o desgosto do filho teria aumento exponencial.

 

Há aqueles que acham-se de alguma dinastia esquecida – talvez de outras encarnações – que batizam os descendentes de João Silva II. João Silva III. Garantem a hereditariedade do nome e a prosperidade de Seu Reino.

 

Há os que batizam as ingênuas crianças em homenagem a pessoas famosas. Juscelino Kubitschek de Oliveira já vi mais de um. Lula deve ter vários. Romário, Reinaldo, Rivelino – também já conheci. Estarão os pobrezinhos sempre sujeitos ao ônus de alguma derrapada dos homenageados. E se algum deles cometer um crime hediondo?

 

Os nomes derivados de outras línguas são interessantes pois sempre guardam significado oculto. O meu nome por exemplo, do latim, significa “aquele que se eleva”: na Roma Antiga quando o primeiro filho era mulher, era sistematicamente abandonado. Só aceitava-se primogênitos masculinos. Quando logravam êxito homenageavam-no com um ritual semelhante ao batismo da Igreja Católica, erguendo o bebê para as alvíssaras gerais. Noves fora que há várias teorias para cada nome derivado de outras línguas, muitas delas de duvidosa veracidade, sempre são histórias interessantes que denotam algum valor ao titular.

 

Mas estou convencido que o nome mais adequado para meu filho, principalmente se for homem, é José ou João. Certo que um descendente da mais alta aristocracia sul-mineira terá uma profissão importante, será um expoente da sociedade, é de bom grado que carregue um destes nomes. Garantirá alguma humildade perene ao sujeito – afinal para os íntimos será sempre o Zezinho, o Zé da Couve ou o Zé do Morro. O que não ocorreria se tivesse um nome nobiliárquico mais imponente. Também tem a vantagem de enfatizar o sobrenome, uma vez que não será chamado apenas de José, mas de José Vargas, por exemplo.

 

Enfim, meus amigos, não é tarefa fácil escolhermos um réles nomezinho. Ou seria eu o complicado?

 



Escrito por Cambuinha às 22h01
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]


Ética Médica

Muito tem se falado na imprensa e mesmo nas conversas informais sobre Ética Médica. Recentemente o “novo” código de ética proposto pelo CFM galvanizou estas discussões. As preocupações de todos com a saúde são mais visíveis, com a melhora da Educação e das informações amplamente disponíveis principalmente depois do advento da Internet.

 

Argumenta-se que o Médico desceu do pedestal e deixou de vaticinar sem questionamentos de toda ordem. Aproveita-se a situação para deixar-se aflorar um sentimento de confronto latente sempre que algum incauto depara-se com alguém de certo prestígio e poder. Domingo passado o Fantástico editou uma avalanche de “reportagens-denúncia” contra Médicos. Até o presidente Lula, em discurso bem classificado pelo presidente da Associação Médica Brasileira como Incontinência Verbal, culpou os médicos pela situação calamitosa da Assistência à Saúde no interior do Brasil: disse que estes profissionais só querem saber de atender na Avenida Paulista – o que seria na opinião do Presidente muito fácil.

 

Ocorre que ninguém fora do nosso meio profissional denuncia a falta de ética com os Médicos. Restrições ao trabalho e ao melhor tratamento para os pacientes nos são impostas diariamente. Somos obrigados a curvar-se a Burocracia desnecessária e burra, preencher papéis de toda ordem.

 

O serviço público de Saúde exige papéis em três vias e formulário interminável para liberar alguns medicamentos ao paciente. Apenas a Receita Médica não basta. Já é hora de respeitarem a opinião do médico e poupá-lo destes achaques. Se prescrevemos o medicamento ao doente é por seu benefício comprovado – para quê exigir-nos enfadonhos papéis a mais?

 

Os gestores do SUS rasgam a Constituição Federal ao negar que os médicos ofereçam aos doentes tratamentos já consagrados por Evidências Científicas para conter os custos. Esquecem-se do princípio da Integralidade do SUS. Puro cinismo e crime.

 

Os convênios médicos exigem relatórios detalhados para internação, uso de certos medicamentos e materiais. Atrapalham sobremaneira a rotina corrida do Trabalho Médico. E em grande parte das vezes devolvem os formulários alegando que demos informações insuficientes, quando todos os esclarecimentos estão descritos. Falta de respeito patente.

 

Hoje são cada vez mais comuns convênios que num período de carência, ou mesmo por contrato definitivo, tolhem dos doentes direitos à internação e toda ordem de serviços médicos-hospitalares. Oferecem ao contratante consultinhas de Pronto-Socorro. É muito comum o médico que está atendendo esta população deparar-se com situações que exigem internações, exames diagnósticos e tratamentos especiais. Para surpresa posterior, algum funcionário do Hospital diz ao médico que o paciente não tem direito à conduta proposta. Resultado: extremo desgaste ao profissional que tem de negar atendimento devido ao doente, contornar a situação com paciente e familiares e lutar por transferência digna a algum Hospital Público. Sobre os ombros dos médicos caem as nefandas conseqüências da falta de regulação decente das vendas de planos de saúde risíveis que classifico como Estelionato Legalizado de Vendas de Serviços de Saúde.

Os médicos são obrigados também a fazer parte de firma para receber via Pessoa Jurídica. Forma já disseminada que as empresas de Saúde encontraram para diminuir custos com encargos trabalhistas e obrigações com empregados via CLT. Pobre Getúlio Vargas – rasgaram seus Direitos Trabalhistas. Esta é uma lógica que prejudica os profissionais que ganham menos de R$ 5000 por mês, pois além de pagar mais impostos comparado a quem é empregado por via CLT, não dá nenhuma garantia trabalhista. Rasga-se mais uma vez a Constituição para molestar os médicos.

 

Há ainda a abertura indiscriminada de Escolas Médicas. Assunto farta e exaustivamente discutido há muito tempo que não vou abordar.

 

O Trabalho Médico é nobre e gratificante. Mas situações deveras degradantes como as citadas deixam-nos desgostosos. Roubam nosso precioso tempo. Destratados diariamente são pacientes e médicos por sistema inepto e burocrata de saúde em que estamos inseridos.

 

Já é hora de contornarmos tal situação. Deve-se exigir Ética dos Médicos. Eles não podem ser medíocres. Mas para tal é preciso tratá-los com o mínimo de respeito.



Escrito por Cambuinha às 12h54
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]


Aula em um artigo

Veja como dar uma aula em apenas um artigo. Não tente isso em casa. É apenas para profissionais.

Os novos bolchevistas

JOSÉ ARTHUR GIANNOTTI
COLUNISTA DA FOLHA

Para os mais jovens, vale lembrar que os bolchevistas -palavra que vem do russo significando maioria- representavam a facção majoritária que, no congresso do Partido Comunista de 1903, seguiu Lênin, contra os menchevistas, os minoritários, sociais-democratas mais moderados do que o grande líder revolucionário.

Mas interessa, neste momento, lembrar que o bolchevismo representou uma forma de prática política em que o militante adere ao partido de corpo e alma, como se aderisse a uma igreja, a uma instituição prenhe de verdade. Os velhos comunistas pediam a autorização do partido para se casarem.

E, durante os processos de Moscou, quando Stálin liquidou seus adversários, estes terminaram confessando crimes que não tinham cometido, pois pensavam o partido como a morada da verdade.

Se o comunismo desapareceu do horizonte político de hoje, se a democracia se impôs, vamos dizer assim, como valor universal, não é por isso que essa adesão emocional, e às vezes mística, a uma organização política tenha se extinguido.

É muito comum em pequenos partidos de esquerda (ou de direita), assim como em certas correntes da esquerda infiltradas nos grandes partidos. A maior surpresa, todavia, é constatar que medra no pensamento de muitos intelectuais.

Compreende-se que um militante endosse uma decisão partidária, mesmo contra sua vontade. Participou das discussões internas do partido e, tendo perdido a disputa, só lhe cabe acatar a decisão da maioria. Há um compromisso com a instituição em que milita. Se ela viola seus princípios, resta-lhe apenas retirar-se.

Nas situações-limite, porém, essa regra se torna relativa. Ao intelectual, em particular, orgânico ou não, cabe estar sempre atento às questões de princípio. Se um partido nega um de seus esteios fundadores, não precisa abandoná-lo, desde que faça ouvir bem alto sua voz discordante.

Não há como transigir quando se trata de uma questão que diz respeito ao funcionamento da própria democracia, do direito de as minorias se manifestarem e lutarem por seus ideais.

Sabemos que não é o que está acontecendo em Cuba, na China e em outros lugares. Minha geração foi tomada de entusiasmo pela Revolução Cubana. Era um raio de sol na América Latina, quando predominavam as contrarrevoluções autoritárias. Entendemos a necessidade de Fidel se aproximar da União Soviética, diante da pressão americana, principalmente depois do embargo decretado.

Aceitamos, embora com relutância, o "paredón", o fuzilamento dos inimigos do regime. Há momentos em que a violência política se torna inevitável. Mas aos poucos fomos percebendo que a Revolução Cubana estava se degenerando.

Caricatura
Jean-Paul Sartre [1905-80] foi o primeiro intelectual conhecido a romper com Fidel. Depois se avolumaram as evidências de que o regime se tornava cada vez mais autoritário, reprimindo sem piedade qualquer manifestação oposicionista. Hoje a República cubana é uma caricatura do socialismo.

E o embargo americano que impede Cuba de se desenvolver? E as conquistas sociais, principalmente no campo da saúde, da educação e do esporte, que colocaram Cuba na modernidade?

Tudo isso continua sendo muito pertinente, mas não retira dos cubanos o direito de divergirem das políticas oficiais. Mais ainda, não abole a distinção entre o preso político, aquele que sofre punição por sua militância política, e o preso comum, que simplesmente transgride em prol de si mesmo ou de sua gangue.

As manifestações contra o regime cubano crescem dia a dia. Tudo indica que a repressão aumentará. Não podemos aceitar que os manifestantes sejam tratados como presos comuns. Mas, como sempre, o governo Lula dá uma no prego e outra na ferradura.

Desta vez, porém, a pancada na ferradura foi muito maior, porque ferrou qualquer adversário, negando seu estatuto de político, mesmo quando faz greve de fome para ser reconhecido como tal. Cabe então a nós, intelectuais brasileiros, denunciar essa violência, defender o direito e o espaço das oposições.

No entanto, muitos de nós simplesmente estão se furtando a tomar firme posição contra esse escândalo. Estão casados com os grupos de esquerda em que militam e comprometidos com a política do atual governo, mesmo quando ela nega princípios gerais que comandam os ideais democráticos.

Até o Cebrap
O maior argumento é que agora qualquer manifestação teria efeitos eleitorais. Mas o silêncio não tem o mesmo efeito? Interessante é que até mesmo o Cebrap, uma instituição que, durante a ditadura, não deixou de denunciar as violações dos direitos democráticos, hoje simplesmente está calado.

E, naqueles tempos, o efeito não era eleitoral, mas a porrada dos gendarmes do governo. Cabe refletir sobre o que está atualmente acontecendo no Brasil. Em particular a vida pública está perdendo qualquer dimensão normativa. Vale o pragmatismo mais estreito.

Importa ganhar as eleições, fazer um governo popular, não perturbar a onda de felicidade que nos cobre mansamente. Ainda que sejam adiadas decisões importantes que não caiam no gosto do público, que as próximas gerações paguem o preço de nossas conveniências.

Resulta daí que cada vez mais tendemos a nos tornar uma sociedade média, média, micha.

JOSÉ ARTHUR GIANNOTTI é professor emérito da USP e pesquisador do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento. Escreve na seção "Autores", do Mais! .



Escrito por Cambuinha às 12h49
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]


O dia mais feliz.

Ah! Hoje é um grande dia!

Talvez o mais feliz.

Começou de madrugada,

quando eu não quis

levantar mais uma vez

Fazer o quê? Não tenho que querer.

 

Eis que abençoado

um toque de Midas

de chofre, inusitado,

esvaece a rotina regrada.

Lembra que a vida

não é nada ensaiada.

 

Que mesmo sou?

Antes singelo e cordato,

apenas com asas pra voar

sem sentido por aí,

sem saber o que esperar.

Sem nada pra carregar.

 

Que mesmo sou?

Agora bicho,

agora Homem.

Largarei o grande lixo

que em vão se come,

que lhe impõem e se consome.

 

Que mesmo sou?

Agora eterno,

agora completo.

Agora tranqüilo.

Tudo cumprido.

Agora concreto.

 

Agora somos um,

somos pra sempre.

Não sou mais de sonho.

Pra trás todo o pó.

O nosso destino

não é mais de um só.

 



Escrito por Cambuinha às 16h53
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]


[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]
 
Meu perfil


BRASIL, Sudeste, ITAJUBA, Homem



Histórico


Votação
Dê uma nota para
meu blog