Blog do Cambuinha


Revitalização da Luz

O Governo do Estado acaba de anunciar a construção de uma escola técnica que funcionará dia e noite na região da Cracolândia. Obra orçada em R$ 57 milhões. Parabéns ao José Serra, que ao contrário de Aécio Neves, valoriza e investe no centro de sua capital tentando acabar com a degradação local. Vai na direção correta.



Escrito por Cambuinha às 17h39
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]


10.000 visitas!

TromboneImpressionante a força da Internet. Um qualquer como eu atingiu a marca de 10.000 visitas! Tá certo que já se passam 3 anos da criação deste espaço. Aconselho a todos que escrevam, leiam, emitam opiniões. É um exercício muito gratificante.

O que considero mais proveitoso enquanto saldo de 3 anos de BLOG sem dúvida foram os comentários de pessoas que não me conhecem e nem eu tampouco sei quem são. O anonimato das partes oferece uma sinceridade sem precedentes, o que contribui para o refinamento das opiniões e o exercício da auto-crítica.

Outro aspecto notável é voltar a ler o que postamos e analisar como mudamos de opinião! Mesmo a forma de escrever. Um registro histórico do que pensávamos.

Como seria interessante se cada um de nós mantivesse um canal aberto para extravasar e dividir escritos diletantes com amigos e anônimos. Aconselho. Quem estimulou-me foi o grande Tio Leuba, a quem envio um apertado abraço metafísico!



Escrito por Cambuinha às 22h34
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]


Bolsa Família Americano

Essa vai para os críticos do Bolsa Família. Também para aqueles que gostam de citar os países "desenvolvidos" para fustigar o Brasil. Saiu na FSP de hoje.

"Bolsa Família" americano atende mais famílias do que o brasileiro

Os Estados Unidos beneficiam 16 milhões de famílias em um programa de assistência social à população carente, mais do que as 12 milhões de famílias brasileiras atendidas pelo Bolsa Família. O volume de recursos gasto com benefícios sociais também é maior nos EUA.

Enquanto o governo americano distribuiu US$ 45 bilhões em benefícios nos últimos 12 meses, até junho, no Brasil, o gasto no período não chega a R$ 15 bilhões.

O Snap (Supplemental Nutrition Assistance Program) é uma espécie de vale-alimentação americano para famílias carentes. Antigamente chamado de Food Stamp, o programa existe há mais de 40 anos. A procura pelo benefício cresceu durante a crise econômica e 3,6 milhões de famílias ingressaram no Snap no período.

"Esse programa faz parte das políticas sociais que todo país tem. Mas, no caso dos Estados Unidos, o que impressiona são o montante e o aumento da adesão durante a crise", afirma Octavio de Barros, diretor de pesquisas do Bradesco.

O economista Marcelo Neri, da FGV, considera o Bolsa Família mais bem elaborado que o Snap. O programa brasileiro cobra uma contrapartida do beneficiário, como frequência escolar e vacinação dos filhos. "O Bolsa Família usa uma tecnologia de assistência social mais nova do que o Snap", diz. Neri afirma que esses programas estão sendo copiados e melhorados continuamente.

O Opportunity NYC, criado em 2007, em Nova York, sob inspiração do Bolsa Família, representa um avanço. "Em vez de frequência escolar, o Opportunity cobra bom desempenho dos alunos das famílias assistidas", diz Neri.

O Bolsa Família também mudou. Antes, apenas famílias com renda per capita até R$ 120 podiam participar. Em abril deste ano, o teto subiu para R$ 137. "Essa mudança incluiu 7,8 milhões de pessoas entre os possíveis beneficiários do programa. Isso significa um salto de 17% para 22% da população brasileira", diz Neri, com base em dados da mais recente Pnad, pesquisa do IBGE.

O número de famílias atendidas cresceu 6% neste ano ante dezembro de 2008, segundo dados de agosto do Ministério do Desenvolvimento Social.

Para Neri, os fatores que impulsionam a expansão dos programas sociais no Brasil e nos EUA são diferentes. "Nos Estados Unidos, houve um crescimento da pobreza. No Brasil, o programa flexibilizou os critérios de seleção dos beneficiários", afirma.



Escrito por Cambuinha às 22h20
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]


Defesa do Faraó

EsfingeO grande Dr. Aldo defende a obra do governador Aécio Neves. Acha que valorizará a região e aquecerá o mercado imobiliário, baseado numa reportagem do "O Estado de Minas". Desnecessário enfatizar o posicionamento governista do Jornal. Tenho opinião oposta.

A história se repete. Aqui em SP vivemos o caos devido à especulação imobiliária, que afastou os moradores do centro, desvalorizou os seus imóveis. Não houve um programa de transporte público que suprisse as necessidades das novas áreas, além de outras melhorias como planejamento dos bairros pobres que inexoravelmente ocupavam os arredores dos novos bairros.

O Morumbi, nos anos 70, é um exemplo clássico. Houve uma corrida por terrenos e imóveis, o que proporcionou crescimento desordenado e favelas ao redor. O mesmo aconteceu com a região a oeste da Marginal Tietê, contruída nos anos 60 - bairros de Pirituba, Freguesia do Ó, Vila Nova Cachoeirinha... Pergunte a um morador do Morumbi o que acha de sua qualidade de vida. Não tem como chegar ao centro pois não há transporte público e de carro todos ficam parados. Ademais, todos conhecemos o nível de violência daquele pedaço da cidade.

Como se vê, é o mais do mesmo. O Palácio do Governo do Estado, que era no centro - Palácio de Campos Elíseos, foi abandonado para dar lugar ao Palácio dos Bandeirantes - no Morumbi, como chamariz da especulação imobiliária.

Há de se aproveitar e valorizar áreas já bem estabelecidas das grandes metrópoles, sob pena de sucateamento das regiões centrais.

Esta discussão agora é inerme. O prédio já está de pé. Quem deveria discutir para evitar o gasto astronômico seria a Assembléia Legislativa de MG. Bem, há um problema na democracia brasileira. Não há Legislativo.



Escrito por Cambuinha às 21h50
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]


Choque de Malandragem

 

 

MalandroO Governador Aécio Neves é conhecido e auto-propalado como o responsável por “choque de gestão” em Minas Gerais.

Atualmente torra 1 bilhão e 200 milhões de reais em uma obra faraônica para onde mudará seu centro administrativo nos Confins de Belo Horizonte, noves fora os gastos extras em infra-estrutura – mais algumas centenas de milhões de reais dos mineiros.

Maquila os gastos Estaduais em Saúde, colocando no mesmo saco dinheiro para financiamento da casa própria, por exemplo. Infringe a Lei (emenda constitucional 29) que determina que pelo menos 12% de suas receitas próprias devam ser aplicadas em Saúde. MG aplica risíveis 7,09%, atrás apenas do RS dentre os Estados da Federação. Noticiado na FSP de hoje, por Ricardo Westin – primo do Paquito.

O Governador vai contra a tendência de reavivar os centros das grandes metrópoles. Em São Paulo, por exemplo, depois de criadas as tragédias da cracolândia e congêneres, repartições públicas se reinstalam no centro. A prefeitura voltou ao viaduto do Chá na gestão de Marta Suplicy. Uma tentativa de colocar ordem na área, degradada pelos degradados. Sem dúvida muito eficiente, uma vez que estimula a circulação e a moradia dos funcionários públicos naquelas áreas, já dotadas de infra-estrutura subaproveitada.

Desnecessário dizer que empreiteiras são dos principais doadores de campanha do Sr. Aécio e de vários deputados estaduais.

Nos municípios mineiros, há um clamor por recursos para que o sistema público de saúde ofereça mais qualidade e bem estar à população. Por exemplo, um sujeito que padece de câncer precisa viajar dentro de uma Kombi de Itajubá para Varginha (180km) para suas seções de quimioterapia, enfrentando náuseas e estrada no regresso. O mesmo ocorre para quem precisa de uma Cirurgia Cardíaca – pacientes ficam longe da família e amigos durante o opróbrio. Habitantes de cidades médias poderiam ter melhor estrutura e atender aos municípios vizinhos com mais recursos médicos. Sem contar as cidades menores que padecem da falta de tudo. Médicos não trabalham onde não há equipamentos ou remédios. É antiético.

Que faltam recursos para a saúde todos sabemos. Poucos sabem do Choque de Malandragem do Sr. Aécio Neves, que trata como gasto em saúde a aplicação em outras áreas. Um problema crônico, que já foi noticiado em meu BLOG em 09/09/2006, há 3 anos:

“Choque de gestão que choca”

“Relatório do Tribunal de Contas do Estado de MG mostra que Aécio Neves declarou como gastos em saúde: "artigos para confecção, vestuário, cama, mesa, banho e cozinha (R$ 894,9 mil), recepções, hospedagens, homenagens e festividades (R$ 28,6 mil), assinatura de jornais e revistas (R$ 46,2 mil), forragens e alimentos para animais (R$ 3,4 mil) e até multas de trânsito (R$ 957)."

O choque de gestão deve ter eletrocutado os que precisavam de atendimento público para saúde.”

 



Escrito por Cambuinha às 15h59
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]


Meio de Esquerda

 

A crônica que segue foi contribuição da minha queridíssima irmã, Jornalista em BH. Enviou-me através de um e-mail entitulado “Retrato”. Não sei se meu ou dela! Enfim, vale a pena! Do BLOG “Na Esquina do Mundo” - http://butecovirtuall.blogspot.com/2009/05/meio-de-esquerda.html.

Meio de Esquerda

Por Antonio Prata

“Eu sou meio intelectual, meio de esquerda, por isso freqüento bares meio ruins. Não sei se você sabe, mas nós, meio intelectuais, meio de esquerda, nos julgamos a vanguarda do proletariado, há mais de 150 anos. (Deve ter alguma coisa de errado com uma vanguarda de mais de 150 anos, mas tudo bem).

No bar ruim que ando freqüentando nas últimas semanas o proletariado é o Betão, garçom, que cumprimento com um tapinha nas costas acreditando resolver aí 500 anos de história.

Nós, meio intelectuais, meio de esquerda, adoramos ficar "amigos" do garçom, com quem falamos sobre futebol enquanto nossos amigos não chegam para falarmos de literatura.

"Ô Betão, traz mais uma pra gente", eu digo, com os cotovelos apoiados na mesa bamba de lata, e me sinto parte do Brasil.

Nós, meio intelectuais, meio de esquerda, adoramos fazer parte do Brasil, por isso vamos a bares ruins, que tem mais a cara do Brasil que os bares bons, onde se serve petit gateau e não tem frango à passarinho ou carne de sol com macaxeira que são os pratos tradicionais de nossa cozinha.

Se bem que nós, meio intelectuais, quando convidamos uma moça para sair pela primeira vez, atacamos mais de petit gateau do que de frango à passarinho, porque a gente gosta do Brasil e tal, mas na hora do vamos ver uma europazinha bem que ajuda. A gente gosta do Brasil, mas muito bem diagramado. Não é qualquer Brasil. Assim como não é qualquer bar ruim.

Tem que ser um bar ruim autêntico, um boteco, com mesa de lata, copo americano e, se tiver porção de carne de sol, a gente bate uma punheta ali mesmo.

Quando um de nós, meio intelectuais, meio de esquerda, descobre um novo bar ruim que nenhum outro meio intelectual, meio de esquerda freqüenta, não nos contemos: ligamos pra turma inteira de meio intelectuais, meio de esquerda e decretamos que aquele lá é o nosso novo bar ruim.

Porque a gente acha que o bar ruim é autêntico e o bar bom não é, como eu já disse.

O problema é que aos poucos o bar ruim vai se tornando cult, vai sendo freqüentado por vários meio intelectuais, meio de esquerda e universitárias mais ou menos gostosas.

Até que uma hora sai na Vejinha como ponto freqüentado por artistas, cineastas e universitários e nesse ponto a gente já se sente incomodado e quando chega no bar ruim e tá cheio de gente que não é nem meio intelectual, nem meio de esquerda e foi lá para ver se tem mesmo artistas, cineastas e universitários, a gente diz: eu gostava disso aqui antes, quando só vinha a minha turma de meio intelectuais, meio de esquerda, as universitárias mais ou menos gostosas e uns velhos bêbados que jogavam dominó.

Porque nós, meio intelectuais, meio de esquerda, adoramos dizer que freqüentávamos o bar antes de ele ficar famoso, íamos a tal praia antes de ela encher de gente, ouvíamos a banda antes de tocar na MTV.

Nós gostamos dos pobres que estavam na praia antes, uns pobres que sabem subir em coqueiro e usam sandália de couro, isso a gente acha lindo, mas a gente detesta os pobres que chegam depois, de Chevete e chinelo Rider.

Esse pobre não, a gente gosta do pobre autêntico, do Brasil autêntico. E a gente abomina a Vejinha, abomina mesmo, acima de tudo.

Os donos dos bares ruins que a gente freqüenta se dividem em dois tipos: os que entendem a gente e os que não entendem.

Os que entendem percebem qual é a nossa, mantém o bar autenticamente ruim, chamam uns primos do cunhado para tocar samba de roda toda sexta-feira, introduzem bolinho de bacalhau no cardápio e aumentam em 50% o preço de tudo. Eles sacam que nós, meio intelectuais, meio de esquerda, somos meio bem de vida e nos dispomos a pagar caro por aquilo que tem cara de barato.

Os donos que não entendem qual é a nossa, diante da invasão, trocam as mesas de lata por umas de fórmica imitando mármore, azulejam a parede e põem um som estéreo tocando reggae.

Aí eles se fodem, porque a gente odeia isso, a gente gosta, como já disse algumas vezes, é daquela coisa autêntica, tão brasileira, tão raiz.

Não pense que é fácil ser meio intelectual, meio de esquerda, no Brasil!

Ainda mais porque a cada dia está mais difícil encontrar bares ruins do jeito que a gente gosta, os pobres estão todos de chinelo Rider e a Vejinha sempre alerta, pronta para encher nossos bares ruins de gente jovem e bonita e a difundir o petit gateau pelos quatro cantos do globo.

Para desespero dos meio intelectuais, meio de esquerda, como eu que, por questões ideológicas, preferem frango a passarinho e carne de sol com macaxeira (que é a mesma coisa que mandioca mas é como se diz lá no nordeste e nós, meio intelectuais, meio de esquerda, achamos que o nordeste é muito mais autêntico que o sudeste e preferimos esse termo, macaxeira, que é mais assim Câmara Cascudo, saca?).

- Ô Betão, vê um cachaça aqui pra mim. De Salinas quais que tem?”



Escrito por Cambuinha às 11h56
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]


[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]
 
Meu perfil


BRASIL, Sudeste, ITAJUBA, Homem



Histórico


Votação
Dê uma nota para
meu blog