Mercedes Sosa
Vi Mercedes Sosa ao vivo no ano retrasado. Um show memorável no Credicard Hall que meu pai ficou fulo da vida de não tê-lo chamado. Apresentou-se junto à Maria Rita.
Com seis músicos, abriu o show Maria Rita. Bandinha boa, mas não fazia jus à expectativa geral! Todos foram para assistir à argentina. Chamada pela colega, dois seguranças auxiliaram Mercedes a andar até uma cadeira de vime. Um trajeto de 20 metros que demorou alguns segundos. Serviram para a comoção do público que lotava a casa. Como estava velha! E doente. Obesa. “É diabética”, disse um senhor sentado ao meu lado. Aconchegou-se a uma cadeira de vime, sob aplausos. Microfone foi-lhe ajustado. Todos apreensivos quanto ao seu desempenho. Cerca de 10 músicos argentinos adentraram ao palco. As duas entoaram “Gracias a la Vida”, um salmo latino americano da chilena Violeta Parra. Emocionante. A potência de sua voz aos 72 anos era admirável. Logo depois retirou-se Maria Rita com seus músicos. E os argentinos acompanharam “La Negra” por duas horas esfuziantes. Com direito a Atahualpa Yupanqui, tangos, folclores e bandoneon. Confesso que rolaram-me lágrimas ao vê-la cantar Coração de Estudante, música que para mim tem especial significado. Sosa é uma voz marcante. Talento original que entoou de coração as músicas de sua terra, a América Latina. Cara de índia, “La Negra”. Logo impuseram-lhe a pecha de “esquerdista”, “comunista”. Aliás, nunca vi taxarem índio e preto de direitistas, reacionários. Compañeros adoram factóides. É certo que emplacou algumas corajosas canções num período crítico ditatorial: “Se se cala el cantor, cala la vida...”;“La guitarra és mi pueblo, compañero!”; “Yo tengo tantos hermanos que no los puedo contar/ Y una hermana tan hermosa que se llama libertad...”. Versos marcantes. Porém nada mais. Comunista era Violeta Parra. Mercedes merece ovações por seu talento e originalidade, nada mais. Abaixo os retóricos da esquerda que querem promover ideologias baratas às custas de seu nome. É certo também que ela surfou nesta onda até o fim da vida, mas estou de saco cheio de retóricas. Viva a arte! Viva Mercedes Sosa e sua voz marcante! Abaixo os porcos oportunistas! Piedra y camino Del cerro vengo bajando, Camino y piedra, Traigo enredada en el alma, viday Una tristeza... Me acusas de no quererte. No digas eso... Tal vez no comprendas nunca, viday Porque me alejo... Es mi destino Piedra y camino... De un sueño lejano y bello, viday Soy peregrino... Por mas que la dicha busco, Vivo penando... Y cuando debo quedarme, viday Me voy andando... A veces soy como el rio: Llego cantando... Y sin que nadie lo sepa, viday Me voy llorando... Es mi destino, Piedra y camino... De un sueño lejano y bello, viday Soy peregrino... Atahualpa Yupanqui
Escrito por Cambuinha às 23h09
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